SUGESTÕES PARA A CELEBRAÇÃO DA MISSA COM CRIANÇAS
O objectivo da Missa com crianças é o de conduzi-las a uma participação activa, consciente, comunitária, piedosa, interna e externa na celebração. No sentido de atingir este objectivo, o Directório apresenta algumas sugestões muito concretas, que convém aqui elencar e sujeitar à reflexão.
OS MINISTÉRIOS
Se na Missa com adultos já se recomenda o desempenho de alguns ministérios pelas crianças, aqui mais claramente aparece como evidente esta participação ministerial.
(A)Notem-se alguns destes ministérios:
- preparar o altar;
- cantar;
- tocar instrumentos musicais;
- proclamar as leituras;
- dialogar na homilia (se convocados);
- oferecer os dons no ofertório;
- etc..
O presbítero que preside à Missa com crianças (não para as crianças) dever ter qualidades especiais e dominar alguns princípios de psicologia pastoral:
- o seu modo de actuar e de falar deve ser digno, claro e simples,
- criando um clima de festa, fraternidade e meditação,
- tornando inteligível a sua linguagem,
- e adaptando as orações e monições (sem infantilismos).
CANTO E MÚSICA
O Directório dedica um largo espaço e grande importância ao canto, exactamente por se tratar de celebrações com crianças (DMC 19). De entre os diversos cantos dê-se prioridade às aclamações, sobretudo as da Oração Eucarística. Os cânticos de outros momentos da celebração sejam igualmente breves, com qualidade (em letra e música). Os cantos do Glória, Credo, Santo e Cordeiro podem ser ter uma letra adaptada e adequada.
Entre nós, o repertório para a Missa com Crianças não é abundante, mas já é significativo. Vejam-se as aclamações das 3 Orações Eucarísticas para a Missa com Crianças do Missal, no Novo Cantemos Todos (nº. xxx, xx, xxx). E ainda (entre outros):
- Cantai ao senhor — Missas com crianças (Ed. Paulistas, 1991).
- Celebremos na alegria - Cesáreo Gabaráin (Ed. Paulistas)
- Festa dos Amiguinhos de Jesus — Clavesinhas de Sol (Ed. Paulinas).
- Jesus gosta de mim — músicas e letras das canções da cassete de apoio ao 1º ano de catequese (Logomédia e Snec).
- Estou com Jesus — músicas e letras das canções da cassete de apoio ao 2º ano de catequese (Logomédia e Snec).
Pode ainda utilizar-se a música instrumental e o uso de instrumentos, sobretudo se tocados pelas próprias crianças (em ordem à participação activa e interna). O Directório não especifica quais os instrumentos a utilizar; fala apenas de “os instrumentos musicais” (DMC 32).
GESTOS, MOVIMENTO E IMAGENS
O Directório afirma que devem fomentar-se os gestos, o movimento e a criatividade visual nas Missas com crianças, a partir de duas razões fundamentais: 1) a natureza própria da liturgia, que é “acção do homem todo” e não só da inteligência e da vontade: a liturgia usa por natureza que lhe é própria os sinais e os gestos simbólicos; 2) a psicologia das crianças que, mais que os adultos, sabem e necessitam de expressar-se com gestos, movimentos e imagens.
Haverá que fazer uma Catequese sobre os gestos e sinais clássicos da celebração eucarística, como a fracção do pão, a utilização do pão e do vinho, os gestos das mãos, etc..
No que toca ao movimento, o Directório assinala a importância da participação das crianças na procissão de entrada, na procissão do evangelho, na procissão do ofertório e na procissão para a comunhão (DMC 34).
A liturgia não deverá nunca aparecer como algo árido e puramente conceptual. Assim, e porque a liturgia afecta todos os sentidos e ainda que prevaleça a Palavra ouvida e proclamada, o Directório escancara a porta da criatividade visual. Ao longo do Ano Litúrgico, podem e devem valorizar-se os símbolos, sinais, ornamentos e cores próprias de cada tempo (DMC 35).
O Directório reconhece ainda a utilidade do uso de imagens preparadas para ilustrar a homilia, a mensagem central das leituras, ou as intenções da Oração dos Fiéis. Neste âmbito parecem legitimar-se também o uso de diapositivos e imagens de vídeo, desde que devidamente contextualizadas e integradoras na celebração e não substituam ou diminuam a importância da Palavra (DMC 36).
A PALAVRA DE DEUS
O Directório dedica 9 números à Palavra de Deus. Na verdade, a Palavra de Deus não se proclama para entreter, ou como relato piedoso ou como catequese sistemática. É “celebrada”, com atitude de fé, com canto, com meditação, com a consciência de que Deus nos fala hoje e aqui. Não se trata de nos colocarmos diante da Palavra como diante duma lição ou tema de estudo, mas diante uma Pessoa que nos fala, que tem tempo para nós, que nos interpela e nos anuncia o seu amor e o seu plano de salvação.
É com este objectivo final que o Directório permite e sugere algumas adaptações:
- a redução do número de leituras: podem suprimir-se uma ou duas leituras, mas nunca o Evangelho (e nunca suprimir as duas primeiras por hábito ou sistema);
- a substituição das leituras do “dia” respectivo por outras que pareçam mais convenientes num momento determinado;
- a recusa da tentação de adoptar sempre leituras breves (um texto breve nem sempre é o mais inteligível). O princípio seria: “todo depende do proveito espiritual que a leitura possa proporcionar-lhes (DMC 44);
- a recusa da tentação de paralela e simultaneamente ir explicando o texto bíblico (há o perigo da confusão entre o que diz a Palavra e o que dizemos nós; para superar esta dificuldade usem-se traduções pedagogicamente preparadas e adaptadas). (DMC 45).
No canto entre as leituras, permitem-se também algumas adaptações:
- no caso do salmo, escolha-se salmo e melodia simples, mas que seja de verdade um salmo e não um canto qualquer; que se cante pelo menos o refrão e que seja ressonância do tema central da primeira leitura escolhida; no caso de ser deveras impossível encontrar nenhum salmo ou refrão, pode cantar-se outro canto a modo de salmo, mas com intenção (melódica e textual) de aprofundar o tema da leitura anterior;
- sugere-se o canto do “Aleluia com versículo” (embora nos pareça legítimo suprimir o versículo já que o Aleluia é canto de aclamação e não de meditação);
- sugere-se que, uma vez por outra, depois da primeira leitura se siga um momento de silêncio sem mais;
- sugere-se ainda que se prepare um canto adequado para depois da homilia. (DMC 46).
A Palavra de Deus não actua sempre automaticamente. É preciso “ajudar” a Palavra (como se pode inferir da parábola do semeador). O Missal oferece alguns recursos (pedagógicos) para a Missa com crianças:
- a monição antes da proclamação da leitura (a modo de apresentação e ambientação);
- a leitura “dialogada”.
Outras ajudas pedagógicas podem ser:
- o cuidar do lugar da proclamação (o ambão e o livro);
- a procissão para o Evangelho;
- uma boa proclamação: preparada, serena, expressiva;
- uma encenação: sóbria, que não necessite demasiada preparação nem aparato;
- a meditação (e/ou homilia) com imagens que ajudem à compreensão da leitura; (DMC 47).
A Homilianão deve faltar nunca na Missa com crianças. Duas notas apenas: a homilia, na Missa com crianças, pode ser feita por um leigo (devidamente preparado e autorizado pelo presidente da celebração); pode ser dialogada. (DMC 48).
AS GRANDES ATITUDES DA EUCARISTIA
A iniciação eucarística supõe a introdução às grandes atitudes que constituem o conteúdo da Eucaristia (e que se enumeram no Directório, nº 9 e 13) e que são:
AS GRANDES ATITUDES DA EUCARISTIA
A iniciação eucarística supõe a introdução às grandes atitudes que constituem o conteúdo da Eucaristia (e que se enumeram no Directório, nº 9 e 13) e que são:
a) REUNIMO-NOS com outros para celebrar;
b) ESCUTAMOS A PALAVRA que Deus nos dirige;
c) DAMOS GRAÇÃS e bendizemos a Deus ( a atitude básica da Oração eucarística);
d) RECORDAMOS E OFERECEMOS o sacrifício de Cristo na cruz (a atitude básica da Oração eucarística);
d) RECORDAMOS E OFERECEMOS o sacrifício de Cristo na cruz (a Eucaristia é memorial da Morte Pascal de Cristo. As crianças sabem o que é oferecer, e podem passar, com a oportuna orientação, do terreno familiar e social ao eucarístico);
e) COMEMOS E BEBEMOS juntos a Eucaristia;
f) DESPEDIMO-NOS mais comprometidos com Cristo e com os outros.
Em síntese, a meta da educação eucarística não é para a sua Missa, mas para a Missa da Comunidade e a pertença à Igreja. Esta educação será progressiva e abarcará o ambiente (mais amável, mais acolhedor, próximo, festivo), a pessoa do presidente, a linguagem das orações, a valorização do audiovisual. Esta adaptação psicológica suporá uma simplificação de alguns elementos (reduzir leituras, omitir algum rito de entrada, etc., ); e sobretudo buscará uma participação mais activa (na homilia, nas aclamações, no canto e nos ministérios...).
JR
PARA SABER MAIS
- LLIGADAS, Josep — La Eucaristia com los niños, CPL, Barcelona 1993.
- LOZANO, Isidro e ANDIÓN, Juan — Celebraciones com niños, editorial CCS, Madrid, 1996.
- ALDAZÁBAL, José — Celebrar la Eucaristía con niños, Dossier CPL 20, Barcelona, 1997. |